valha-me santo ovídio

Lá do alto da montanha, local do santo da capela, eu vi beleza tamanha, que a quis deixar numa tela.

Santo Ovídio é o patrono, da referida capela, onde um miradouro é o trono, como se fosse uma janela.

Santo que dá nome à expressão, valha-me santo Ovídio!

Na realidade não deveria ser miradouro, porque de outro lado há o rio que banha as margens de uma bela vila. A Vila de Ponte de Lima. Já o rio de seu nome Rio Lima, foi outrora conhecido pelo rio do esquecimento. Rio que os romanos batizaram de Lethes porque segundo a lenda, quem o atravessasse ficaria enfeitiçado pela sua beleza e esqueceria o nome, pátria e a família.

Lethes do latim significa esquecimento, mas Décio Júnio Bruto ousou atravessar o rio, perante o seu exercito amedrontado, e chegado à outra margem chamou por cada um dos soldados demonstrando que na sua cabeça permanecia a memória, que de nada padecia.

Do Lethes já poucos se recordam, mas quis o progresso que um dia as pessoas vissem as suas vidas iluminadas por lampiões de leds. Mas que coincidência esta, de milhares de anos volvidos, fossem criar um sistema de iluminação de leds muito perto do Rio Lethes.

E assim a paisagem noturna começa a sofrer mutações. Aos poucos, a luz alaranjada das cidades é absorvida pela cor banca do led.

É caso para dizer; Valha-me Santo Ovídio.

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